Ação do SEST/SENAT quer conscientizar motoristas e passageiros sobre importância dos cuidados individuais nos ônibus.
25 de setembro de 2020

Aumento das viagens do sistema metropolitano não levou a aumento de casos de covid-19 na RMBH, diz estudo

Levantamento da NTU em 15 sistemas de transporte do país, inclusive na Grande BH,  revela que não há relação entre transporte público e a disseminação do coronavírus

 

O aumento do número de viagens de ônibus e da demanda de passageiros no sistema de transporte metropolitano não refletiu em um crescimento no número de casos de covid-19 na Grande BH. A conclusão é de um estudo feito pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU).

 

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O levantamento utilizou dados coletados entre março e julho deste ano em 15 sistemas de transporte coletivo de todo o país. Em Belo Horizonte e região metropolitana, os dados (veja gráfico abaixo) mostram que não houve grande alteração na quantidade de viagens realizadas no período de maior crescimento dos casos de covid-19 (semana epidemiológica 19 a 28).

 

O gráfico também mostra que, durante o período em que houve maiores registros de casos da doença – as quatro últimas semanas – o número de viagens também se mostrou estável.

 

 

O estudo reforça que o transporte coletivo, por si só, não pode ser considerado um local de disseminação do coronavírus, como destaca o presidente da NTU, Otávio Cunha.

 

“Os dados coletados revelam que não há evidência de que o maior número de passageiros em ônibus leva a um maior risco de disseminação da covid-19. O transporte público por ônibus urbano não pode ser apontado como responsável pelo aumento no número de casos, não há uma relação entre uma coisa e outra”, esclarece.

 

No entanto, é preciso reforçar a necessidade de cuidados individuais e coletivos, não só nos ônibus mas também no trabalho, em bancos, supermercados, bares, restaurantes, para conter a disseminação da covid-19. O uso correto de máscaras, a constante higienização das mãos e o distanciamento mínimo quando possível, são exemplos de cuidados essenciais na luta contra o coronavírus.

 

“Desde o início da pandemia, as empresas investiram para distribuir máscaras aos funcionários e para equipar terminais, pátios, garagens e ônibus articulados com álcool em gel. É importante que todos façam a sua parte para garantir um transporte coletivo mais seguro”, disse o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano (Sintram) – Rubens Lessa Carvalho.

 

 

Brasil

O levantamento teve como base a variação da demanda por transporte, calculada pela NTU, e os dados do Sistema Único de Saúde (SUS) durante 17 semanas epidemiológicas 14 e 30 (entre 29 de março e 25 de julho). Os dados do SUS foram agregados em semanas epidemiológicas para que fossem estabelecidos os mesmos referenciais às demandas de viagens realizadas por passageiros no transporte público por ônibus.

 

No total, foram considerados 255 registros de informações dos sistemas de transporte público coletivo. Não foram encontradas evidências de que o aumento do número de passageiros transportados levou a um aumento da incidência de casos confirmados de Covid-19.

 

Em algumas cidades, o aumento da demanda por transporte coincidiu com a redução do número de casos confirmados, enquanto em outras a redução do número de passageiros do transporte coletivo aconteceu simultaneamente com o aumento da incidência de casos.