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Transporte coletivo de passageiros no pós-pandemia

O isolamento social imposto para conter a disseminação da pandemia do coronavírus tem revelado alguns efeitos positivos no meio ambiente e nas relações interpessoais. Pais e filhos têm mais tempo para estarem juntos e se conhecerem melhor. Grandes metrópoles sentem os efeitos da redução da emissão poluentes, da falta de congestionamentos e até redução no número de acidentes de trânsito.

O cenário pode mudar radicalmente no pós-pandemia. O “novo normal” pode trazer consigo um aumento desenfreado do uso do transporte individual em face do coletivo pelo receio de novas contaminações. O setor de transporte coletivo por passageiros, que já vem agonizando com a redução da demanda, pode estar ameaçado no seu papel primordial de atender a população e garantir o direito de ir e vir.

Como se darão os deslocamentos após o coronavírus? Em países em que a pandemia se estabilizou e o número de mortes diminuiu, tem-se notado a procura cada vez maior por automóveis. É claro que, em muitos desses países, o sistema cicloviário é eficiente e funciona adequadamente para muitos cidadãos. Mas é inviável o uso desse modal para médias e grandes distâncias, sendo o transporte coletivo o mais eficiente neste último caso, principalmente quando entra em debate a necessidade da massa da população.

No Brasil, o sistema de transporte coletivo era responsável por transportar diariamente mais de 40 milhões de passageiros e gerar mais de 1,8 milhão de empregos diretos e indiretos. Só em Minas Gerais, são mais de 100 mil. Com a pandemia e as medidas de flexibilização, o setor passou a funcionar com 40% da demanda e tem amargado mais de R$ 3 bilhões em prejuízos, colocado em risco a sua sobrevivência.

A discussão sobre as medidas de uso e permanência do transporte coletivo de passageiros é urgente. Afinal, ele é um direito da população garantido na constituição. O artigo 30 inciso V da Constituição Federal trata o transporte público como um serviço essencial. A maioria da população do Brasil depende deste transporte para ter acesso aos locais de trabalho, hospitais, supermercados, farmácias, entre outros.

Para se manter no pós-pandemia e atender a população, o transporte coletivo terá que se reinventar e se readequar às normas sanitárias exigidas mundialmente, como máscaras, equipamentos de proteção individual, distanciamento e limite máximo de passageiros para que as viagens possam acontecer com segurança. Tais medidas, se não forem subsidiadas pelo poder público, provocarão perdas ainda mais significativas, afetando duramente as empresas do setor.

Uma solução passa pela mudança do modelo de financiamento do custeio do transporte coletivo, hoje pago exclusivamente pela população mais pobre. Muitos países têm subsidiado os prejuízos das empresas para manter o transporte coletivo operando com qualidade e com um custo acessível para a população de baixa renda.

Para chegar a um senso comum será preciso um amplo debate entre sociedade, poderes público e empresas do setor e exigir novas posturas e decisões que viabilizem a sobrevivência do transporte público, garantindo o deslocamento da população com todos os protocolos de segurança e também a eficiência do setor.

 

Confederação Nacional dos Transportes (CNT) e Federação das Empresas de Transportes de Passageiros de Minas Gerais (Fetram)